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Diretor-presidente do Bandeirantes fala do prazer de rever ex-alunos
Mauro de Salles Aguiar, diretor-presidente do Bandeirantes e membro do Conselho Estadual de Educação, comenta nesta entrevista o futuro do ensino superior no país, as mudanças (positivas) ocorridas nos últimos sete anos na área da Educação, o papel que uma escola de ponta, como o Colégio, terá que desempenhar daqui para a frente, a 50.a edição do Band - este jornal que, a cada três meses, chega à suas mãos - e, com carinho indisfarçável, a sua relação com os ex-alunos.
Professor, nos últimos anos, houve uma expansão extraordinária do Ensino Médio no país. Para quem pretende ingressar nas melhores universidades, o que isso significa?
Antes de tudo, é preciso deixar claro que essa expansão - um fato extremamente positivo, para o país - não é obra do acaso. É conseqüência de uma verdadeira revolução educacional, que teve início em 1995. A partir daquele ano, em função de uma série de iniciativas do governo federal e de alguns estaduais, principalmente o de São Paulo, foram sendo eliminados alguns "gargalos" que impediam que boa parte dos estudantes chegasse ao Ensino Médio ou que o concluísse. Para que se tenha uma idéia, em 1994, cerca de oitocentos mil alunos se formaram. No ano passado, o número de formandos chegou a algo em torno de dois milhões. E isso é só o começo. Daqui para frente, essa expansão será ainda maior, porque os resultados de políticas públicas sempre levam um tempo para aparecer.
Isso significa que a concorrência por uma vaga em uma boa universidade, pública ou privada, será cada vez maior.
Sem dúvida alguma. A tendência é essa mesmo. Por mais que as universidades públicas, por exemplo, ampliem o número de cursos e vagas - e elas estão fazendo isso - , não conseguirão atender a demanda crescente, em razão de suas limitações orçamentárias.
O ministro Paulo Renato, da Educação, declarou recentemente que o atual sistema de financiamento das universidades públicas estará completamente esgotado daqui a cinco, seis anos. Mas o que se vê é uma brutal resistência, por parte do corpo docente, às mudanças. Que cenário teremos?
Como membro do Conselho Estadual de Educação, tenho discutido muito essas questões. A resistência às mudanças não está concentrada no presidente da República, no ministro da Educação, no alto escalão. Ela parte de escalões inferiores, que se recusam a analisar alternativas, movidos que estão por questões ideológicas, paixões. É justo que se encontre uma forma que os estudantes de melhor condição econômica contribuam. O pagamento de mensalidades não resolverá todo o problema, mas servirá para amenizá-lo. Idêntico raciocínio vale para a ampliação das fundações. Hoje, por exemplo, as três fundações vinculadas à Faculdade de Economia e Administração (FEA) da Universidade de São Paulo têm um papel importante para sua manutenção, além de prestarem serviços relevantes à sociedade. Por fim, é necessário que as universidades públicas definam com clareza qual a sua missão, seu foco, a exemplo do que ocorre com as melhores instituições do exterior. Elas pretendem, por exemplo, ser universidades de excelência, especializadas em pesquisas de ponta, ou querem atender a um contingente maior de alunos, criar cursos noturnos? Não dá para fazer tudo bem feito.
Qual o papel que está reservado às instituições privadas de ensino superior?
Há um espaço muito grande para quem pretenda investir em ensino superior de qualidade. Mas as instituições privadas terão que atuar num outro cenário, mais competitivo, sem privilégios governamentais - privilégios esses, ressalte-se, que lhes foram concedidos por governos anteriores, não pelo atual, por meio da isenção do pagamento de impostos. E esse espaço será ocupado por novos investidores, por protagonistas que valorizam o planejamento, a gestão e a qualidade, acima dos padrões que têm prevalecido.
Num cenário cada vez mais competitivo - e estamos falando de vestibulandos -, qual o papel que cabe a uma instituição como o Colégio Bandeirantes?
Nós temos uma missão bastante clara: colocar nossos alunos nas melhores instituições de ensino superior do país. Os números mostram que temos atingido nosso objetivo. Nossos alunos obtêm os mais altos índices de aprovação nos principais vestibulares. Em 2001, por exemplo, obtivemos 15% das vagas de Medicina na USP, 14% das cadeiras na Escola Paulista de Medicina, 13% das vagas de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas. Sessenta e três alunos nossos foram aprovados, em 2001, na Escola Politécnica. Uma outra escola, cujos alunos conseguiram o segundo melhor resultado, conseguiu aprovar ali 24 alunos. E o número de candidatos da referida escola era praticamente o mesmo. Respondendo à sua pergunta, nosso papel continuará sendo o mesmo: colocar nossos alunos nas melhores instituições de ensino superior do país.
E qual o segredo do sucesso?
Não há segredo. Mantemos programas de capacitação de professores, incluindo mestrado e doutorado no exterior, projetos especiais (veja matérias nessa edição), programas culturais, laboratórios e biblioteca de alto padrão, trabalhos sistematizados de apoio emocional aos adolescentes e uma das mais altas médias salariais do mercado. Além disso, somos líderes em Tecnologia Aplicada à Educação. Os resultados dos investimentos que fazemos, em todos os sentidos, não se manifestam apenas nos exames vestibulares. No Exame Nacional do Ensino Médio, de 2000, 79,23% de nossos alunos tiveram avaliação entre bom e excelente. Nenhum deles teve desempenho insuficiente. Por meio de vários projetos, procuramos atender as diferentes demandas dos alunos. Oferecemos a eles opções para que se desenvolvam plenamente. Queremos que eles encontrem na escola outros espaços, além do curricular. Isso os enriquece demais.
Esta é a 50.a edição do Band. Qual sua avaliação do jornal?
O Band é o principal instrumento de comunicação do Colégio com sua comunidade. Nesse sentido ele tem sido bastante eficiente. Temos mantido esses vínculos. E é preciso entender que essa comunicação não se dá apenas com atuais alunos e seus pais, mas também com os que passaram por aqui. O jornal tem ainda um outro papel importantíssimo, que é o contato com os formadores de opinião: empresários, políticos, artistas, jornalistas. É preciso que o trabalho realizado no Bandeirantes seja conhecido além de suas fronteiras, alcançando outros públicos.
O Band tem cumprido seu papel?
Sim. Embora com outro nome - Educação Ilimitada -, o Band nasceu com uma vontade muito grande de não ser aquele, sem querer ser pejorativo, "jornalzinho" de escola que fala apenas de pequenos acontecimentos internos. Claro que tais acontecimentos são importantes para os alunos que deles participam. Mas a idéia sempre foi discutir comportamento, fatos importantes para a sociedade. O objetivo sempre foi o de publicar matérias de interesse dos alunos, dos pais, de uma forma mais ampla. Algumas matérias funcionam como material didático para a própria escola. É o caso, por exemplo, da entrevista com Alberto Pfeifer (publicada na edição passada). Foi um material didático importante sobre globalização, Alca, Mercosul, União Européia, blocos econômicos, relacionamento entre os países, posicionamento do Brasil sobre acordos comerciais. O mesmo se pode dizer dos artigos da dra. Maria Clara. Na área de comportamento, são fantásticos.
E a relação com os ex-alunos?
Em todos lugares que vou, encontro ex-alunos bem-sucedidos. Sempre lhes peço um cartão e os passo aos responsáveis pelo jornal, para que eles sejam entrevistados, contem suas experiências. É importante que a atual comunidade que freqüenta o Bandeirantes conheça exemplos práticos do esforço que tem feito o Colégio para que eles freqüentem uma universidade de primeira linha. É interessante perceber que as manifestações de apreço desses ex-alunos pelo Colégio não têm nada de forçado. Isso é fantástico. É bom encontrar cidadãos felizes, profissionais realizados nos diferentes campos de atuação.
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